A decadência do Império Romano e a ascensão de novas culturas e religiões, especialmente o Cristianismo e o Islamismo, marcaram um período de profunda transformação para o pensamento ocidental. Longe de ser, como antes se pensava, uma “Idade das Trevas” filosófica, este milênio (aproximadamente do século V ao XV) viu o florescimento de um pensamento complexo e original, focado na tensão e síntese entre a fé e a razão. Buscando compreender a natureza de Deus, a ordem do cosmos e o lugar do ser humano em um universo divinamente criado, a filosofia medieval lançou as bases para grande parte do pensamento ocidental subsequente. Deste modo, pondo em foco a relação entre a revelação divina e a investigação racional, ela se tornou fundamental não apenas para a teologia, mas também para a organização social, política, científica e educacional da época. Suas consequências se fizeram e se fazem sentir ainda hoje, influenciando debates sobre ética, epistemologia, metafísica e a própria relação entre ciência e religião.
No curso História da Filosofia Medieval, fé, razão e o legado do pensamento clássico são explorados desde as várias facetas desse período crucial. Serão abordados autores como Boécio, Anselmo de Cantuária, Tomás de Aquino, Guilherme de Ockham, além de importantes filósofos do mundo islâmico e judaico que dialogaram intensamente com a tradição grega, como Avicena, Averróis e Maimônides. Além disso, serão abordadas os desdobramentos medievais das principais correntes da filosofia da Índia, Vedanta e Sámkhya, e suas relações com a filosofia ocidental.