O curso pretende analisar, sucintamente, o que a Filosofia heideggeriana propõe como sendo a estrutura do pensamento e, por conseguinte, o que essa Filosofia entende por estrutura própria do ser-homem enquanto História do Ser.
De acordo com Heidegger, a Filosofia, enquanto Metafísica, vem perpetrando uma posição eminente do pensamento como conhecimento, isto é, como desvelamento do ente enquanto saber metafísico. O filósofo, então, ao estudar profundamente as formas pelas quais o pensamento vem, historicamente, pensando a questão primordial e fundamental da Filosofia — qual seja, a questão do Ser enquanto Ser —, começa a estabelecer o que permanece impensado na história da Filosofia: a própria questão do Ser, uma vez que tal questão, no interior do saber metafísico, demanda sempre, implicitamente, uma determinação última no ente.
Para o filósofo, a questão do Ser, ela mesma, começa a aparecer como uma questão histórica e circunscrita, isto é, interior a um mundo de sentido. Se, portanto, o Ser é compreendido a partir do mundo de sentido no qual emerge, então isso, por um lado, quer dizer que não há, originariamente, espaço para verdades absolutas ou universais; e, por outro, quer dizer que o Ser, por ser somente interior a um mundo de sentido, não pode ser, originariamente, um algo (um ente), ou uma substância universal determinada onticamente.
A destruição fenomenológica heideggeriana da filosofia tradicional é, desse modo, o fio condutor para a preparação da temática do Ser enquanto tempo, isto é, da temática principal de Ser e Tempo, uma vez que o Dasein, sendo, a cada vez, finito, deve ser trazido à dimensão de fenômeno a partir de sua lida histórica com a presença, isto é, com o Ser e, por conseguinte, com o tempo.
É extremamente relevante aprender sobre nossa história a partir da Filosofia, pois podemos, assim, ao menos, entender melhor onde nos encontramos agora enquanto povo ocidental da técnica moderna.
Este curso tem como objetivo tomar o filósofo contemporâneo Martin Heidegger como professor para pensar a História da Filosofia, isto é, pensar como os pensamentos grego (platônico-aristotélico), medieval e moderno, fundam implicitamente o modo da compreensão humana frente a si própria e frente à Natureza no Mundo de sentido ocidental contemporâneo. Heidegger faz a “destruição fenomenológica” da Filosofia (Metafísica) para tentar compreender como e porque somos como somos e agimos como agimos na Contemporaneidade. Com o questionamento próprio da História dos pressupostos do pensamento ocidental, poderemos talvez alcançar a finalidade que pensamos ser a desta filosofia, a qual pretende pensar o Ser enquanto tempo e enquanto finitude, o que se põe em total contraposição à perspectiva metafísica tradicional da subsistência [Vorhandensein] para o sentido do Ser, a qual, segundo o pensador, permanece fundando implicitamente todos os pressupostos do pensamento e conhecimento ocidentais. A questão que se impõe com esta Filosofia é: como chegamos a ser isto que somos hoje? Como a totalidade dos entes se tornou o objeto propriamente dito para o homem ocidental enquanto Sujeito de conhecimento?
Deste modo, o objetivo deste curso será, portanto, o de questionar como Heidegger estabelece uma interpretação de fundo única para toda a História do Pensamento Ocidental e porque o estabelece; e também compreender como nossa estrutura metafísica do pensamento (uma estrutura histórica, isto é, finita e não universal e absoluta), governa o sentido da verdade como um todo no Mundo de sentido contemporâneo.
O curso será desenvolvido por meio de uma abordagem dialógica e investigativa, incentivando a participação ativa dos estudantes na construção do conhecimento filosófico enquanto pensamento crítico da História da Filosofia.
1. Aulas expositivas dialogadas
Apresentação dos principais conceitos heideggerianos, sempre com espaço para perguntas, debates e exemplificações.
2. Leitura e análise de textos filosóficos
Leitura orientada de trechos de filósofos clássicos e contemporâneos tendo Heidegger como professor, com foco na interpretação, argumentação e problematização das ideias.
3. Método socrático (maiêutica)
Condução de diálogos a partir de perguntas problematizadoras, estimulando o aluno a pensar criticamente e chegar às próprias conclusões.
4. Estudos de caso e problematização da realidade
Análise de situações do cotidiano à luz de conceitos filosóficos, aproximando teoria e prática.
As aulas serão realizadas ao vivo pela plataforma Zoom. As gravações estarão disponíveis para consulta no Ambiente de Aprendizagem Online por até dois meses após o encerramento do curso.