A Inteligência Artificial (IA) tem transformado a prática médica contemporânea. Tradicionalmente, os Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs) eram limitados ao processamento de texto (unimodais), auxiliando na redação de prontuários ou na sumarização de literatura médica [1]. No entanto, a prática clínica é inerentemente multimodal. O diagnóstico e o tratamento exigem a integração de conversas com o paciente, resultados de exames laboratoriais, imagens radiológicas e, muitas vezes, sinais vitais em tempo real.
Neste contexto, surgem os modelos LLMs Multimodais (M-LLMs), sistemas avançados capazes de processar e gerar simultaneamente texto, imagem, áudio e vídeo [2]. Modelos como GPT-4, GPT-5, Claude 3.5 Sonnet e Claude 3 Opus, com capacidade de visão, representam um salto qualitativo, permitindo que a IA analise radiografias, interprete eletrocardiogramas, estruture relatórios complexos, sugira condutas baseadas em evidência atual e até mesmo auxilie em procedimentos cirúrgicos guiados por vídeo.
Este curso foi desenhado para desmistificar essas tecnologias. Exploraremos desde a engenharia de prompts (a arte de instruir a IA corretamente) até a implementação prática de soluções no-code e, para os mais curiosos, a integração via código. A ênfase será dada à multimodalidade, preparando os profissionais de saúde para a próxima geração de ferramentas de suporte à decisão clínica.
Na prática, o aluno sairá do curso sabendo aplicar IA em tarefas reais do seu dia a dia. Um médico poderá gerar um SOAP* em segundos, preparar o resumo de um prontuário para interconsulta ou estruturar uma triagem inicial. Um nutricionista poderá criar planos alimentares personalizados, organizar avaliações nutricionais e produzir orientações para o paciente com muito mais agilidade. Um fisioterapeuta poderá registrar evoluções de sessão, montar planos terapêuticos e gerar programas de exercícios em PDF. Um pesquisador poderá automatizar triagens bibliográficas, extrair dados de CRFs, organizar evidências e apoiar a redação de métodos científicos. Em todos os casos, a IA será tratada como ferramenta de apoio, com validação humana e uso responsável.
*SOAP =
S — Subjective (Subjetivo): queixa principal e história relatada pelo paciente
O — Objective (Objetivo): dados observáveis — exame físico, sinais vitais, resultados de exames
A — Assessment (Avaliação): hipótese diagnóstica ou diagnóstico do profissional
P — Plan (Plano): conduta, prescrição, encaminhamentos, retorno.
Referências
[1] R. AlSaad et al., “Multimodal Large Language Models in Health Care: Applications, Challenges, and Future Outlook,” Journal of Medical Internet Research, vol. 26, 2024.
[2] J. Qiu, W. Yuan, and K. Lam, “The application of multimodal large language models in medicine,” The Lancet Regional Health - Western Paci?c, vol. 45, 2024.
[3] HealthTech Magazine, “Prompt Engineering in Healthcare: Best Practices, Strategies & Trends,” Apr. 2025. [4] J. Miao et al., “Chain of Thought Utilization in Large Language Models,” PMC, 2024.